Quando começamos o ofício de apicultor, fizemos formação, compramos livros, e decidimos fazer um ano zero na empresa, ou seja, compramos colmeias e vamos aplicar o que aprendemos, sem expectativas. Aprendemos logo de início, que um apicultor trabalha de sol a sol, e em Mirandela o sol manda-nos uns belos 40 graus, de julho a setembro.
O nosso trabalho em campo não para. A partir de fevereiro começamos a avaliar como foi o inverno das colmeias, alinhamos e realinhamos os quadros, que é o lugar onde vivem e nascem as abelhas, avaliamos doenças, limpamos terrenos, aplicamos caça pólen, desdobramos colmeias quando estão cheias de população e assim aumentamos o nosso número de colmeias e evitamos que as abelhas fujam, literalmente das nossas colmeias. É que as abelhas não gostam de estar apertadas!!! Colocamos meias alças, de onde sairá o mel, e quase todos os dias avaliamos a situação de cada colmeia.
Imagine que hoje estão 25 graus, sem chuva. A colmeia está numa ordem, mas para a semana chove e baixa para os 15 graus, e a colmeia retrai-se e tudo muda, para pior, as abelhas não saem com chuva, portanto comem tudo o que reservaram e… não temos mel para nós. Quando acaba a jornada? Tiramos mel em junho/julho, e depois é cuidar das colmeias para o inverno, garantir que têm alimento e estão fortes para as temperaturas negativas. Até fevereiro, avaliamos como estão os campos, se o vento não derrubou nenhuma colmeia, e no armazém consertamos estragos. É… o apicultor, tem a sua cota de marceneiro, pedreiro, trolha, enfim, temos de fazer de tudo, todo o ano.